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Trecho transcrito do
curso de capacitação voltado para candidatos a vereador e prefeito (tópicos do Capítulo I), do Instituto de
Pesquisas Humanistas e Solidaristas / IPHS, ministrado por Philippe Guédon e
Paulo Roberto Matos.
“ ...
“PEÇO O SEU VOTO PARA...
PARA QUE, MESMO?”
O cidadão que quer ser
engenheiro, deve estudar para isso. A jovem que tem vocação para ser médica ou
advogada, cursa a Faculdade que a capacitará para a desejada profissão.
E assim ocorre com o
açougueiro, o eletricista, a costureira, o calceteiro, a manicura, o piloto de
jatos, o físico nuclear, enfim com todos os profissionais de todos os campos da
atividade humana.
Perdão, há uma
exceção.
Na mais abrangente das
atividades humanas, a Política, isso não acontece. O
cidadão e a cidadã podem habilitar-se a desempenhar funções da mais alta
relevância para a comunidade sem terem a mais vaga idéia sobre o que pode ser o
exercício de um mandato de Vereador, o que dirá de
Prefeito.
Bem sei que não faz
sentido, mas assim acontece. A imensa maioria dos Candidatos que sairá em
campanha de julho a setembro de 2.008 nem de leve desconfiará o que é “ser
Vereador” nem “ser Prefeito”. Sem perceber, estará praticando um estelionato
eleitoral, pois estará pedindo um voto de
confiança aos eleitores para o exercício de uma atividade que desconhece de cabo
a rabo, e que não poderá exercer com um mínimo de eficiência. Se ousassem se
candidatar a emprego de engenheiro sem ter a requerida capacitação, seriam
liminarmente afastados e ainda correriam os riscos de sanções pelo ilícito da
“falsidade ideológica”. Já, no campo da política, é permitido pedir votos para
desempenhar cargos para os quais não se está minimamente
preparado.
Vejam bem: não se
trata de elitizar o preenchimento dos cargos, de exigir anel de doutor. Cuidamos
aqui de protestar contra o despreparo elementar de boa parte dos candidatos
sobre os assuntos que se propõem executar, controlar e
legislar.
Permitam, meu Irmão e
minha Irmã, que formulemos algumas perguntas. As respostas podem ser dadas in
pectore, pois só dizem respeito a cada um, mesmo. Queremos que avaliem se já
estão em condições de pedir votos a um eleitor:
a)
Você já teve acesso a
um exemplar de sua Lei Orgânica Municipal? Já leu a dita com cuidado, para
entender os diversos pontos tratados?
b)
As mesmas perguntas
fazemos com relação à essa Lei de relevante importância que é o Plano Diretor de
sua Cidade;
c)
Você já consultou o
Regimento Interno da sua Câmara?
d)
Você acha que teria
condições de elaborar um projeto de lei?
e)
E uma emenda
substitutiva?
f)
Quais são as leis que
integram o Sistema Orçamentário e quando devem os seus respectivos Projetos ser
encaminhados pelo Executivo à Câmara?
g)
Você sabe quantos
eleitores tem o seu Município? Quantos habitantes? E da sua superfície, tem
alguma idéia?
h)
De que trata o
FUNDEB?
i) A LRF?
j)
O
SUS?
k)
Com quantos votos se
elegeu um Vereador no seu Município e que história é essa de quociente
eleitoral?
l)
Quantos e quais são os
partidos que existem no País (se acertar metade está
bom)?
m)
Você é capaz de
desenhar o esquema da organização administrativa de sua
Prefeitura?
n)
Autarquia, fundação,
companhia de economia mista, dá para explicar?
o)
Esta é fácil: quantos
servidores ativos trabalham na Prefeitura?
p)
O que é
comarca?
q)
O que é um distrito e
quem pode criá-lo?
r)
Você sabe a diferença
entre TSE, TRE e TCE?
s)
Um cidadão pode pedir
ao Executivo ou ao Legislativo uma informação de interesse geral através de
requerimento? E os Poderes precisam responder?
t)
Onde são publicadas as
leis de seu município?
u)
Quantas escolas
municipais existem no seu município?
v)
E Postos de
Saúde?
Eis algumas perguntas,
dentre inúmeras que se poderia formular, e que têm por objetivo levar você a
refletir sobre como costumamos estar mal preparados para pedir votos, olhando as
pessoas olho no olho, animados pela certeza que poderemos SERVIR aos eleitores e
aos cidadãos, se nos derem o mandato pedido.
...”
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