UM PASSEIO POR

SÃO JOÃO BAPTISTA DE MERITY EM 1940

Guilherme Peres

MAGALHÃES CORRÊA

Armando Magalhães Corrêa (1884-1944), nasceu no Rio de Janeiro, onde se formou em artes plásticas pela Escola Nacional de Belas Artes. Viajou pela Europa graças a um “Prêmio de Viajem” que ganhou nas áreas de escultura e pintura.

Dedicou-se também à História e a geografia do Rio de Janeiro, escrevendo nos jornais e revistas dessa Cidade. Fomos encontrá-lo no jornal: “Correio da Manhã”, onde, aos domingos, no início da década de quarenta, assinava uma coluna intitulada: “Baixada e Montes Fluminenses”. .

Sempre acompanhado de traços leves de extrema beleza, seus desenhos bicos de pena, ilustravam suas crônicas circulando pela História. Ali também encontramos desenhos inéditos de Magé. Iguassú, Jacutinga, Pilar, Brejo etc, mas, sem dúvida, a nossa surpresa foi encontrar a Igreja Matriz de São Baptista de Merity, contemplada com a descrição, e acompanhada por um de seus traços.

A MATRIZ

Ao caminhar em direção ao núcleo urbano, o cronista descreve a “Matriz de São João Baptista de Merity, numa elevação, a uns quinhentos metros, tendo a estrada à esquerda, as linhas da Auxiliar e Rio Douro, que juntas vão divergir justamente no local da povoação de São João de Merity”.

Essa Igreja, “Várias vezes reformada, sendo que a última vez por Frei Justo, franciscano e vigário que a inaugurou em 24 de junho de 1938. A antiga Matriz formada por dois corpos compunha-se de fachada em torre central avançada, em três pórticos, um de cada lado: na parte superior, frontão em tímpano e sobre este, um campanário com quatro vãos e os respectivos sinos, encimando uma platibanda de onde parte uma pirâmide octogonal, coroada pela cruz de metal”.

Hoje a Matriz cresceu, além do corpo descrito fizeram uma grande nave, simples paredes lisas. O teto em dois planos formando um ângulo obtuso, sustentados por beirais, lateralmente apoiados por mãos francesas. Ao fundo o coro como balcão tendo na parte inferior, duas grandes portas, que dão ingresso ao grande salão que é o terceiro corpo, onde se reúne a irmandade, tendo comunicação com o cemitério que fica nos fundos, exclusivo da citada irmandade.

Várias casas comerciais e de moradias em ruas que “terminam na principal, como a Rua Tavares Guerra, com confeitaria à esquina de São João Baptista. Seguindo aquela o leito da Rio Douro, e à esquerda a Linha Auxiliar, com estação na localidade, sede do Distrito”.

Além de variado comércio, registra a presença de: “cinemas, confeitarias, em fim, todo o conforto de uma pequena cidade. Numa elevação em meia laranja, acha-se um grande jardim com gramados, candelabros de iluminação, bancos e coreto: num marco de pedra, prismático com terminação em pirâmide, há a seguinte inscrição: “Ao Prefeito Dr. Arruda Negreiros, o povo do 4.º Distrito de Iguassú – 1934”. “Seu aspecto é agradável, e um tanto movimentada a vida local”.

No mês de dezembro de 1939, o Ministério da Viação oficiou a Prefeitura de Nova Iguassú, comunicando que o ministro autorizara a mudança do nome da estação de São João de Merity, para Vila Merity, da Linha Auxiliar”

A PONTE.

Ao adentrar pela Pavuna, descreve a ponte de cimento sobre o rio do mesmo nome: “formada por dois arcos” elevando sua base central e tendo duas rampas: “uma para cada lado lateralmente murada, tendo ao centro a data 1914 com a inscrição: reformada na administração do exmo .Dr. Manoel Reis, presidente da Câmara Municipal de Iguassú. Do outro lado vê-se nova data: 1931- Reformada na administração do exmo. Dr. Sebastião de Arruda Negreiros, Prefeito Municipal de Iguassú.

A seguir registra, “outra ponte estreita como pinguela, com suportes de ferro e pranchas de madeira e um arame como baluarte, que serve para dar passagem aos moradores, e as crianças que freqüentam a escola municipal do Distrito Federal, pois está em continuação a Rua Amazonas em São João de Merity.

A ÁGUA

Surpreende-se com a ausência de água potável encanada nas residências, quando seu solo, serve de passagem para enormes adutoras vindas da Serra do Tinguá, acompanhando a Estrada de Ferro Rio D´ouro: “Outro ponto curioso de São João de Merity é que passam os aductores dos mananciais do Rio douro, sem que as habitações tenham água encanada, e o povo é obrigado a procurar o precioso líquido nas fontes públicas, transportado-a em barris, latas e moringas.”

OS RIOS

Descrevendo os rios, o cronista relata que: “Continuando o Pavuna com o nome de São João, vai em Três Barras encontrar o Merity e o canal da Pavuna, que, em linha reta ia da estação desse nome”, (aqui o cronista registra a presença da “bica da mulata”, sem mencionar o nome popular), “em frente ao chafariz de ferro fundido representando uma ninfa, à fornecer água, na confluência do Pavuna-Merity..À margem esquerda do povoado existiram os trapiches da família Tavares Guerra, no tempo que era obrigatória a passagem de todos os gêneros procedentes da Baixada e Serra da Estrela. Infelizmente hoje está aterrado pelo saneamento da Baixada Fluminense”.

Na confluência de Três Barras, “os rios reunidos partem com o nome de São João de Merity, atravessando as estradas Rio-Petrópolis e da Leopoldina.Railway em verdadeiro meandro com as respectivas valas laterais, até a sua foz na baia de Guanabara”.

 

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